Saltar para o conteúdo

Enólogos dizem que os vinhos do Dão são versáteis e gastronómicos

Homem a servir vinho tinto num copo com pratos de comida e garrafa de Dão numa mesa de restaurante ao ar livre.

Os enólogos da região apontam ao Dão um conjunto de características, castas e uma história que, em conjunto, explicam a versatilidade dos vinhos.

Versatilidade e frescura dos vinhos do Dão

Para Paulo Prior, enólogo da Global Wines/Casa de Santar, a região distingue-se por conseguir oferecer diferentes estilos sem perder identidade. "Os vinhos não são maçadores, são gastronómicos. Temos perfis diferentes, uns mais condizentes com gastronomia e outros que se conseguem beber ao fim da tarde ou num momento mais descontraído. E isso também o Dão", argumenta. Na sua leitura, é precisamente essa capacidade que ajuda a explicar o carácter da região: "Aqui no Dão temos essa possibilidade de oferecer esta frescura, esta singularidade", acrescentou.

Sónia Martins reforça a ideia de que são vinhos que se bebem com facilidade e que mantêm elegância ao longo do tempo. Na sua opinião, são vinhos que "não cansam". "A elegância e a frescura dos vinhos do Dão permitem que a pessoa possa beber uma garrafa sem que fique cansado, porque a característica dos vinhos, que é ter um bocadinho mais de acidez natural, faz com que sejam mais elegantes e que, de alguma forma, harmonizem melhor com a gastronomia, não só com a da região mas com a gastronomia de uma forma geral de Portugal", acrescentou.

Leveza com complexidade: a visão da Casa da Passarella

Paulo Nunes, enólogo da Casa da Passarella, identifica no Dão uma expressão de leveza que não se confunde com falta de profundidade. Nos vinhos da região encontra "uma leveza" que não é simplista. "Ou seja, leveza com complexidade, que se revela quando o provamos. Parece-nos muito leve no palato, na boca é extremamente simples, mas depois fica muito na boca. O fim de boca continua a persistência. O Dão faz isso de uma forma exemplar", acrescentou.

Harmonização à mesa: acidez, taninos e gordura

Na perspectiva de Paulo Prior, quando o contexto é uma refeição mais intensa, a região encaixa naturalmente: "o Dão é um vinho perfeito para acompanhar essas refeições" mais robustas.

Mafalda Perdigão destaca também a componente gastronómica e a forma como o perfil do vinho deve ser escolhido em função do momento. "São vinhos bons para comer e aqui come-se muito bem", sublinha, antes de explicar como decidir: "Um vinho mais agressivo na boca, com mais tanino, ou seja, que nos deixe a boca um pouco mais seca, ou com uma acidez mais vincada, precisa de comida com alguma gordura, para harmonizar a nossa boca, para tornar tudo mais agradável. Se for um vinho que na primeira sensação seja leve e agradável, pode ser apreciado sem nada."

Paulo Nunes volta a sublinhar que o Dão "tem a particularidade" de produzir vinhos particularmente vocacionados para a mesa. "Onde consigo mensurar isso? É muito simples. À mesa, quando fazemos a refeição na totalidade. primeiro prato, segundo, vários momentos, sobremesa, café e continuamos com o mesmo vinho, não pedimos água. Isso é um vinho gastronómico, que nunca nos cansou durante a refeição", diz o enólogo da Casa da Passarella. "O dão tem essa subtileza e esse perfil de vinhos", acrescentou.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário